Concorrer ou jogar

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A última Eye (nº69) dedica dois artigos a este tema, dando como exemplo designers que hoje são canónicos e começaram as suas carreiras ganhando concursos. Ainda é citado o livro “No contest! The case against competition, 1986/1992″ no qual é defendido que os concursos são geradores da perda de auto-estima e de criatividade.
À semelhança de vários designers, sempre concorri a muitos concursos. Já lhes perdi a conta, dos tempos de estudante até hoje, nunca senti ter ganho nada. Concorrer a concursos é o mesmo que concorrer a um emprego, nunca sabemos o que nos espera ou quem nos avalia, nem o que privilegiam esses júris, o que não nos impede de depositarmos sempre grandes esperanças. Esperamos que essa distinção possa mudar alguma coisa, trazer mais clientes, mais trabalho, mais valor pessoal e algum reconhecimento… 
Quando, há uns anos estive numa conferência do Jorge Silva no auditório da minha escola (ESAD CR) assisti com alguma perplexidade aos vários slides em que, um após o outro, surgiam os vários troféus (objectos estranhíssimos) dos ínumeros prémios ganhos. Aquilo até poderia ter a sua piada, mas na altura, como estudante, e sem sentido de humor, a situação deixou-me irritada. Afinal de contas eu não era potencial cliente, nem designer, não estaria interessada em contratar os seus serviços e estes objectos nunca são minimamente interessantes para que se perca algum tempo a limpar-lhes o pó e ainda menos a desenrolar conversa. 
Os prémios são atestados de qualidade para os clientes, e para os designers são motivos de ovação (ou desconfiança conforme o remetente e o destinatário do prémio). Os prémios servem também de complementos cómodos e inquestionáveis de valor – “este designer já ganhou 15 prémios, é um designer incontornável, não pode ser contestado”– que ultrapassam qualquer crítica. Esta vontade de ver o trabalho projectado (e reproduzido) faz com que muitas vezes nem se questione a natureza do concurso e do júri. Já cheguei a pagar por um concurso sem saber sequer quem iria ser o júri que me iria avaliar.
Apesar de todos os argumentos contra os concursos a razão porque concorremos continua a ser óbvia: valor (simbólico e monetário) numa sociedade projectada em escalas de importância e em prémios que continuam a ser uma das melhores formas de encontrar trabalho.

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