Em tempos de crise…

autografo

Enquanto esperava numa fila para comprar este livro e para ter a minha cópia assinada, lembrei-me que a única vez que tinha feito algo semelhente foi há cerca de 10 anos atrás… Recebi este desenho/autógrafo (na imagem) no salão de banda desenhada cá no Porto pelas mãos do ilustrador do “Aqui, à terra”, o mesmo autor do agora editado “Design em Tempos de Crise”. Estão ambos de parabéns, os editores e o autor, por este belo objecto de crítica de design em português. Já fazia falta…

“shut up and play your guitar”

1975, arquivo do Diário de Noticias

Querida amiga:

Uma vez li: mais vale uma glória falhada que mil misérias conseguidas. Sei que és muito mais sensata do que eu, continuo a admirar-te porque és inteligente, leal e porque me dás certezas no meio das incertezas. E como somos amigas, mais do que pessoas que trabalham juntas, quero dizer-te que acredito que as coisas vão melhorar, e mesmo que isso não aconteça, paciência… O nosso trabalho é que importa. Como dizia o outro: Respira e vai à vida… Bom ano!

Artes Plásticas (1973-1977) Revista mensal de artes plástica, análise crítica, ensaio e informação

capa e contracapa Shirley Cameron & Roland Miller

 

A revista Artes Plásticas publicada pela primeira vez em Outubro de 1973, a custar 25$00, é uma revista direccionada, claro está, para as Artes (Visuais ou Plásticas) através da divulgação de projectos, correntes artísticas e seus autores, e sobretudo pelo acompanhamento da arte portuguesa no contexto internacional, promove a discusão da teoria crítica da arte. Propõe-se como meio para a troca de opiniões, um contraponto teórico e prático. Tendo sido na época, uma importante fonte divigulgadora da vanguarda artística, tanto pela importação quanto pela exportação, não só destacando o trabalho de artistas portugueses, como também fazendo chegar ao público português algumas promessas internacionais. Muitos artistas, ainda em início de carreira, então divulgados, são referências actuais. 

Esta revista tem um projecto gráfico com vida própria, não por ser desligado dos restantes critérios editoriais, mas fazendo-se notar por ser pensado ao mesmo nível de qualquer artigo ou tema, e existindo em conformidade à compreensão geral do mesmo. A cada número apresenta um uso diferente de tipos de letra, por vezes pouco convencionais ou inadequados, quando procura ilustrar determinado tema ou apresentá-lo de forma distintiva dos restantes. Usa tipos não serifados para texto, o que era invulgar para a época. A diversidade tipográfica nota-se na mancha de texto, ao nível dos títulos, no corpo e a variada colocação na grelha. 

Quanto à grelha e sua flexibilidade, permite alguma manobra em termos de ritmo. Pelas suas sub-divisões possibilita a variação entre uma e três colunas, e o aumento ou diminuição do corpo de letra em função desta opção. Apesar de nem sempre conseguir uma mancha de texto agradável, percebe-se a vontade de ter um esquema menos rígido que permita adaptar uma paginação ao género de texto, seja ensaio, reportagem, entrevista, portfolio, notícias breves, etc., conseguindo uma sequência de páginas algo imprevista. O conteúdo contamina por completo todo o grafismo, ou por outras palavras, a forma resultante deve muito às fotografias, aos desenhos, às reproduções de obras de arte, mas também ao tratamento tipográfico e ao cut-up das montagens. Daí que, o interesse formal, visualmente rico, viva essencialmente das imagens. 

As suas páginas são geralmente de aspecto condensado, mais acentuado pelos aparos feitos aos volumes encadernados da Hemeroteca de Lisboa, onde foram fotografadas as imagens. Este desenho de página vem no seguimento daqueles jornais cujo papel era aproveitado ao máximo milímetro – em que as colunas de texto eram coladas entre si, aproveitando o contorno da caixa como solução-ganho ao espaço branco necessário entre colunas – defendendo o equilíbrio da página com a existência de espaços brancos pelo meio a fazer composição. 

Este grafismo exibe já uma identidade muito própria direccionada para a prática do design gráfico. A forma como lida com a informação, cortando palavras, títulos, fragmentando, desmultiplicando, denuncia uma abertura ao design enquanto descodificador de mensagens, no papel activo do leitor, mostrando ter conhecimentos de como chamar a atenção dos leitores para o artigo. Um facto bastante curioso: estamos em 1974, data em que é publicado um artigo chamado A arte, o sentido e o design, por Lima de Freitas. Um artigo que faz precisamente a correspondência entre as duas disciplinas – que sempre existiu, uma vez que o design era prática habitual dos artistas, mas na altura em que o Design começa a ser leccionado de forma autónoma nas Belas Artes, é nomeado também neste artigo como disciplina independente.

O logotipo, de que não sabemos a autoria, é uma marca forte e temporal, como cabeçalho da revista.  Surge na primeira capa (com trabalho de Arnulf Rainer) e ao longo dos vários números editados, de várias maneiras. Inicialmente maior, e número após número viria a tornar-se mais subtil, aparecendo também a combinar com a imagem/obra que é primordial na capa. Diminuído, inserido como pequeno apontamento, conforme vai dando mais jeito, mas sem perder a identificação. 
As capas, bem conseguidas, são habitualmente imagens duotone (em alguns casos passa a três ou apenas uma cor de impressão) e tem o valor de um tributo, nem sempre segundo a lógica do destaque, em que o tema principal daquele número tem uma chamada de capa, mas a capa é um cartão de visita encerrado em si, podendo o autor não ser apresentado no interior da revista. 

O número 7/8 da revista é marcado por uma viragem da linguagem visual, por novas opções da nova equipa que liderou o projecto gráfico. Esta mudança resulta num grafismo muito menos interessante, severamente afectado pela evolução técnica e tecnológica.

Director · Egídio Álvaro
Colaboradores · Rocha de Sousa, Lima de Freitas, Fernando Lanhas, Luigi Carlucciu, António Areal, Alfredo Queiroz Ribeiro, Rui Mário Gonçalves, Giovanni Giappolo, Sallete Tavares, Eurico Gonçalves, Mirella Bandini, Oystn Hjort, João Dixo, Rugiero Bianchi, Patrick Le Nouen, Ângelo de Sousa, Jaime Ferreira, Anne Troen Che, Yann Pavie, Jean Luc Parant 
Direcção Gráfica · Gabinete JB, SARL
Execusão Gráfica · Simão Guimarães, Filhos, Lda (do nº1 ao 6); Tipografia Arcanjo Ribeiro (nº 7/8
Fotografia · Ursa Zangger, P. Bressano, Hannes Flury, André Morain, António Sousa, Clareboudt, Raymond Vennier, Tahara, Eduardo Sá Carneiro, João Lanhas
Distribuição · Livraria Bertrand
Peridiocidade · mensal
Tiragem não referida
Patrocinada pelo Banco Pinto de Magalhães

Concorrer ou jogar

sagmeister_stefan_adobe

 

A última Eye (nº69) dedica dois artigos a este tema, dando como exemplo designers que hoje são canónicos e começaram as suas carreiras ganhando concursos. Ainda é citado o livro “No contest! The case against competition, 1986/1992″ no qual é defendido que os concursos são geradores da perda de auto-estima e de criatividade.
À semelhança de vários designers, sempre concorri a muitos concursos. Já lhes perdi a conta, dos tempos de estudante até hoje, nunca senti ter ganho nada. Concorrer a concursos é o mesmo que concorrer a um emprego, nunca sabemos o que nos espera ou quem nos avalia, nem o que privilegiam esses júris, o que não nos impede de depositarmos sempre grandes esperanças. Esperamos que essa distinção possa mudar alguma coisa, trazer mais clientes, mais trabalho, mais valor pessoal e algum reconhecimento… 
Quando, há uns anos estive numa conferência do Jorge Silva no auditório da minha escola (ESAD CR) assisti com alguma perplexidade aos vários slides em que, um após o outro, surgiam os vários troféus (objectos estranhíssimos) dos ínumeros prémios ganhos. Aquilo até poderia ter a sua piada, mas na altura, como estudante, e sem sentido de humor, a situação deixou-me irritada. Afinal de contas eu não era potencial cliente, nem designer, não estaria interessada em contratar os seus serviços e estes objectos nunca são minimamente interessantes para que se perca algum tempo a limpar-lhes o pó e ainda menos a desenrolar conversa. 
Os prémios são atestados de qualidade para os clientes, e para os designers são motivos de ovação (ou desconfiança conforme o remetente e o destinatário do prémio). Os prémios servem também de complementos cómodos e inquestionáveis de valor – “este designer já ganhou 15 prémios, é um designer incontornável, não pode ser contestado”– que ultrapassam qualquer crítica. Esta vontade de ver o trabalho projectado (e reproduzido) faz com que muitas vezes nem se questione a natureza do concurso e do júri. Já cheguei a pagar por um concurso sem saber sequer quem iria ser o júri que me iria avaliar.
Apesar de todos os argumentos contra os concursos a razão porque concorremos continua a ser óbvia: valor (simbólico e monetário) numa sociedade projectada em escalas de importância e em prémios que continuam a ser uma das melhores formas de encontrar trabalho.

Nova, magazine de poesia e desenho


Contracapa e capa de Jorge de Sena

“A modernidade definida como movimento inaugura-se em meados do século passado, esse século que nunca mais acaba de passar. O conceito de Modernidade está ligado ao conceito de progresso– científico, técnico e tecnológico– esperança de libertação do homem pela máquina. Eis o que se oculta por detrás do entusiasmo futurista (…) A escrita continuou, propagou a actividade política. A história apresenta-se como uma série e as sucessivas modernidades como graus de mutação da sensibilidade, da percepção conceptualizada que o texto ilustra: é!” Ana Hatherly, Setembro de 1975, publicado na revista Nova 1

A Nova foi uma revista que contou com apenas dois números separados por um período de seis meses: o primeiro saiu em Setembro 1975 e o segundo, e último, em Março 1976. Escrita a duas línguas– português e castelhano– foi uma publicação que, após o 25 Abril, pretendeu ser também um espaço de colaborações e abertura ao mundo, como publicado no editorial da Nova 1: “Pelo lado que podemos, daremos parte de poemas, desenhos e textos de reflexão sobre as matérias, de autores de Espanha, Portugal, Brasil, América Hispánica e Países Africanos onde se pratica o português e o castelhano. Neste primeiro número verifica-se gente espanhola, portuguesa, brasileira, cubana e moçambicana. Veja-se que é já festejável.”
Era notória a vontade de trabalhar para além das fronteiras definidas pelo Estado Novo, essa vontade de fazer um projecto editorial que pudesse ser uma possibilidade à mudança política sem hierarquias. O texto de Ana Hatherly demonstra também essa fé no “entusiasmo futurista” e nessa “modernidade” finalmente livre do regime. 

“Estávamos atentos às matérias e sopros do mundo expressos em imagens e vozes autónomas”, escreveu Herberto Helder, e a Nova foi essa tentativa de mudança: a palavra é viva e material, escrita de formas diferentes e com variados tipos de letra. As imagens em alguns casos são âncoras das palavras, como no poema Los Seres Periféricos, noutras, distintas e autónomas, as ilustrações são impressas numa folha de qualidade superior e facilmente destacável, reduzindo custos e adequando a qualidade de impressão às necessidades do material gráfico. Reproduziram poemas de Leonard Cohen, numa ilustração que fazia referência à publicidade de época do Vinho do Porto e da marca de tabaco Definitivos. Noutros exemplos várias páginas mostravam a palavra Mar ilustrada e sofrendo variações simbólicas, quer pela palavra quer pelo desenho.
Na contracapa há uma composição em que surgem listados os nomes de todos os participantes, os nomes não foram hifenizados silabicamente e surgem listados por ordem alfabética sem qualquer divisão.

A equipa da Nova tal como publicada:
Organizadores · 
António Paulouro, António Sena, Herberto Helder
Editor · Herberto Helder
Periodicidade · Semestral
Composição e Impressão · Oficinas gráficas do Jornal do Fundão
Tiragem não referida

Afinal existe. E é bonito!

“Este livro foi um processo demoroso e complicado, mas o António é uma pessoa que faz e, talvez por isso, incomoda.” As palavras são de Miguel Lobo Antunes na apresentação do útimo livro de António Pinho Vargas, no passado dia 16 de Setembro na Culturgest. Não me interesso por música contemporânea. Simplesmente, porque nada percebo, e claro, porque nunca me dediquei a perceber. Mas estes textos acompanharam-me durante vários meses enquanto aprendiz num atelier de design. Essa leitura continuada e fragmentada fez identificar-me a cada momento, a cada repetição. Foi essa possibilidade que realmente valeu a pena, não apenas ter mais um exemplo real para o meu portfolio. É um livro que fala de design sem o dizer, que nomeia os dilemas, os desejos, os maneirismos, os discursos, os episódios e a legitimação da criação. Apesar de continuar a não perceber nada de música reconhecia a cada ousadia do autor o quanto APV percebia de prática do design naquilo em as nossas disciplinas têm em comum.

Na apresentação, nas poucas vezes que se falou de design, fez-se sem o saber. “Afinal existe. E é bonito!”, “É um livrinho porque é pequeno, mas muito denso”. Bem sei que a atenção estaria longe de ser virada para o design, mas os momentos em que era evidente ser essa a matéria, foi clara a invisibilidade que os designers continuam a ter, mesmo em instituições culturais como é o caso. Os criadores que se revêem nas mesmas problemáticas que enfrentam estão de costas voltadas.

A capa deste livro, já comparada ao interface do site pessoal de António Pinho Vargas, foi claramente o elemento mais controverso ao longo do processo… posso dizer que foram desenvolvidas pelos menos mais duas opções finalizadas (sem contar com os inúmeros esboços) não direi melhores nem piores mas, certamente menos convencionais, onde o designer tem um papel equiparado aos restantes autores e desenvolve através do seu trabalho uma reacção que prolonga e desencadeia lógicas de representação consequentes ao texto (ainda que num diálogo à distância) e que se reflectem no objecto conseguido. O design assenta aqui, mais uma vez, no nível do “bem feito”, “com bom aspecto”, “que não compromete”. É uma visão acanhada e preguiçosa mas fácil de absorver e enraizar numa prática diária de atelier. Não aconselho este livro pela capa (até me ficaria bem!) mas pelo texto que apresenta. Uma perspectiva aguçada e perspicaz, que penso poder ser seguida para além da música.

A dado momento, Paulo Ferreira de Castro a quem coube a formalidade da apresentação diz qualquer coisa como, a música e a arte não se legitimam sem ser pela resposta do público. Apesar de não ser consonante com a resposta a reacção epidérmica que tenho de imediato faz-me reconhecer toda aquela evidência: o design, aquele design, ao nunca ter sido mencionado, só estaria a querer dizer uma coisa, que ainda não tinha sido legitimado.

A minha constatação deste desconhecimento de competências e saberes, num momento em que tanto já se falou de transdisciplinariedade, fez-me recordar outro momento alto da apresentação, em que a propósito de discursos legitimadores e de um autor para mim desconhecido, se falou no divórcio do criador com o público, do velho fetichismo do génio incompreendido muitas vezes perpetuada pelo próprio criador, e do favor que o compositor faria à música ao isolar-se do mundo público para criar, tudo considerações do próprio.

Dúvidas mais saciadas se o nome deste livro fosse Cinco Conferências, Especulações críticas sobre a História do Design do século XX.

A fome

©Tiago Baptista

 

“What it all boils down to, what only ever really matters the most when it comes to Contente, is Intent. And I mean that. With all my heart.” Chip Kidd, The Learners (Content as Sincerity, pág. 254)

“O importante não é o ser, mas o parecer”
Um moralista, Fevereiro de 2008

 

Durante algum tempo, nas viagens de regresso do fim de semana, ouvi com regularidade um programa da Antena 2 chamado Questões de Moral da autoria de Joel Costa. Apesar de não acontecer por minha iniciativa, mas por ser essa a escolha da minha boleia, comecei a interessar-me pelo programa, pelos seus temas, abordados naquele estilo erudito, mas sobretudo por curiosidade, porque a moral era um tema muito querido daquele fiel ouvinte. Curiosa que estava por compreender melhor a estranha pessoa que guiava ao meu lado, ouvia com atenção, e não raras vezes me ocorriam as várias discussões em que o tema era abordado na prática de design e em que tinha participado. 

A moral e a ética, tantas vezes usadas como cartada final nos julgamentos sobre os outros. Sempre me fez confusão a forma como nessas conversas facilmente se caía na tendência para moralizar e julgar decisões, bem diferente do que pode ser uma visão crítica sobre nós e os outros. Muita gente vem logo com a bandeira levantada dizer que são questões muito importantes que têm de ser faladas, ao que não me oponho, obviamente, mas às vezes faladas parece querer dizer denunciadas.Trata-se muitas vezes de mera moralização beata, sem nunca haver uma construção crítica. E parece-me estranho ouvir constantemente as palavras moral e ética a dado exemplo de uma prática que se considera ser “a correcta”, sem lugar para dúvidas. Quando muitas vezes ouço as palavras moral e ética antes ou depois de design, reparo que na maior parte das vezes tem como único objectivo a distinção entre aquilo que é correcto e aquilo que é errado. “Eu é que tenho razão. Ele agiu mal. E eu tenho de dizê-lo.” É a condenação de um par tido como moralmente superior sobre o outro. Dois lados, o bem e o mal. No fundo é como a parábola do homem que rouba a maça e é advertido pelo moralista. O moralista diz-lhe “Tu estás a roubar. Tu és um ladrão.” Mas quando o mesmo moralista é apanhado pelo outro a fazer o mesmo, a resposta dele é “mas eu tenho fome!”.

Quando comecei no design profissional assustei-me com a moral do mercado. Percebi a enorme diferença em relação ao meu método de trabalho habitual. Não habituada a ter uma rotina no trabalho, a minha dificuldade era a distribuição de tarefas no meu tempo diário, semanal… Perante a lógica de que as horas se pagam, o natural era distribuir o tempo de acordo com os ganhos da empresa. Os melhores trabalhos, isto queria dizer, aqueles em que se deveria perder mais tempo, são dos clientes com mais dinheiro. Ou seja, tempo e dedicação a um determinado projecto deveria assim ser equacionado de acordo com a carteira do cliente. Nunca me senti muito confortável com esta lógica de trabalho o que me levou a alguns momentos de insatisfação.

A moral mais do que teoria normativa da prática do design, ou código de conduta para a avaliação das práticas alheias é, antes disso, um domínio complexo, no design, que procura a compreensão dos problemas relativos à prática. Não pode, por isso, ser relativo a costumes antigos e estanques, mas uma reflexão analítica e viva, e isso sabemos bem, vai muito além daquilo que é ou não correcto ou permitido. Para alguns designers isto não é uma questão. Este post é uma questão de moral, porque na verdade todos temos fome.