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Nova, magazine de poesia e desenho


Contracapa e capa de Jorge de Sena

“A modernidade definida como movimento inaugura-se em meados do século passado, esse século que nunca mais acaba de passar. O conceito de Modernidade está ligado ao conceito de progresso– científico, técnico e tecnológico– esperança de libertação do homem pela máquina. Eis o que se oculta por detrás do entusiasmo futurista (…) A escrita continuou, propagou a actividade política. A história apresenta-se como uma série e as sucessivas modernidades como graus de mutação da sensibilidade, da percepção conceptualizada que o texto ilustra: é!” Ana Hatherly, Setembro de 1975, publicado na revista Nova 1

A Nova foi uma revista que contou com apenas dois números separados por um período de seis meses: o primeiro saiu em Setembro 1975 e o segundo, e último, em Março 1976. Escrita a duas línguas– português e castelhano– foi uma publicação que, após o 25 Abril, pretendeu ser também um espaço de colaborações e abertura ao mundo, como publicado no editorial da Nova 1: “Pelo lado que podemos, daremos parte de poemas, desenhos e textos de reflexão sobre as matérias, de autores de Espanha, Portugal, Brasil, América Hispánica e Países Africanos onde se pratica o português e o castelhano. Neste primeiro número verifica-se gente espanhola, portuguesa, brasileira, cubana e moçambicana. Veja-se que é já festejável.”
Era notória a vontade de trabalhar para além das fronteiras definidas pelo Estado Novo, essa vontade de fazer um projecto editorial que pudesse ser uma possibilidade à mudança política sem hierarquias. O texto de Ana Hatherly demonstra também essa fé no “entusiasmo futurista” e nessa “modernidade” finalmente livre do regime. 

“Estávamos atentos às matérias e sopros do mundo expressos em imagens e vozes autónomas”, escreveu Herberto Helder, e a Nova foi essa tentativa de mudança: a palavra é viva e material, escrita de formas diferentes e com variados tipos de letra. As imagens em alguns casos são âncoras das palavras, como no poema Los Seres Periféricos, noutras, distintas e autónomas, as ilustrações são impressas numa folha de qualidade superior e facilmente destacável, reduzindo custos e adequando a qualidade de impressão às necessidades do material gráfico. Reproduziram poemas de Leonard Cohen, numa ilustração que fazia referência à publicidade de época do Vinho do Porto e da marca de tabaco Definitivos. Noutros exemplos várias páginas mostravam a palavra Mar ilustrada e sofrendo variações simbólicas, quer pela palavra quer pelo desenho.
Na contracapa há uma composição em que surgem listados os nomes de todos os participantes, os nomes não foram hifenizados silabicamente e surgem listados por ordem alfabética sem qualquer divisão.

A equipa da Nova tal como publicada:
Organizadores · 
António Paulouro, António Sena, Herberto Helder
Editor · Herberto Helder
Periodicidade · Semestral
Composição e Impressão · Oficinas gráficas do Jornal do Fundão
Tiragem não referida